19 agosto 2010

Um presente especial

Uma querida amiga me presenteou com este conto. Fiquei emocionada e orgulhosa.
Emocionada, pois pude sentir o cheiro de carinho e amor que ela dedicou em cada palavra, em cada vírgula. E orgulhosa, por descobrir uma artista cheia de sensibilidade e talento.


Lucimar querida, obrigada pelo carinho, foi especial!



O prometido Conto do Biscoito.

De Lucimar
Para Paula e sua linda família, com todo o meu carinho.

_ Quem quer um biscoito, aí? Um não, que não vim de tão longe para dar-lhes um só.
_ Hei, é de graça?
_ É, pois!
_ De gracinha, não se paga nada? Nadinha?
_ Eu disse quem quer biscoito, não disse quer comprar o biscoito.
_ Puxa, assim vou querer aos montes. Você deve ter muito dinheiro!
_ Não.
_ Não?
_ Não! Você sofre de algum mal nos ouvidos? Tenho biscoito para isto também, que no seu caso tem nome: desconfiança.
_ É biscoito ou é remédio?
_ Agora o mal muda de nome, mas prefiro não pronunciar.  Bem, vamos ao ponto onde começamos. Quer biscoitos?
_ Claro!
_ Muito bom, mas antes preciso saber se está pronto para saboreá-lo, senti-lo, descobrir o que contem, verdadeiramente. São algumas exigências que faço para quem dou meus biscoitos, pois para cada pessoa eles terão um sabor ou nenhum.
_ Como é que é?
_ Tudo que é dado tem um valor para quem dá e um para quem recebe.
_ Eu sabia! Não entendi nada, mas acho que tem dinheiro na história.

Enquanto durava o debate chegaram pessoas: curiosas, desconfiadas, sorridentes, simplesmente chegaram para ouvir.

_ Eu me sentia muito só, mesmo quando havia uma multidão ao meu redor. Entendi que isto pode ser normal, estamos realmente sós naquilo que pensamos ou queremos. Não é de todo ruim.
Nada fazia muito sentido para mim ou eu não fazia sentido, diferença.  Descobri para que a vida ou qualquer coisa nela tenha sentido, depende da maneira como se escolhe viver e fazer a diferença na vida de alguém.
Faltava algo dentro de mim: voz, movimento, prazer, comprometimento com ser feliz, fé e razão, faltava perdão.
Muitas vezes fui mesquinho com outro ser, um dia conheci alguém que fazia biscoito para sobreviver. Era a única coisa que sabia fazer. Biscoito, biscoitos comuns, de várias formas, moldados com suas próprias mãos.  Ás vezes, tomava emprestado de uma colméia mel fresquinho, estes ficavam especiais, pois corria risco ao apostar contra as abelhas, dizia sorrindo.
Quando sobrava dava à molecada que vinha à janela fuçar ou às grávidas, assim se alimentavam dois.
Provei o biscoito. Devagar. Fechei os olhos e pensei: nada neste biscoito é diferente, mas nada teve tanto sabor em minha vida. Eu podia sentir o amor, o prazer, o trabalho árduo feito com dedicação e delicadeza. A generosidade, a aventura. A alma daquela pessoa num grão de biscoito.
Descobri quem eu queria ser naquela conversa, no brilho dos olhos do fazedor de biscoitos e como havia feito diferença no meu caminho pela vida.


Postar um comentário